Eu sou feita de muitas camadas.
Chez Dandan é uma delas, talvez até a minha própria forma de transmutação.
Em São Paulo, entre cores, plantas, óleos e silêncio, transformei minha casa, uma residência modernista com assinatura arquitetônica própria, onde ar, água, terra e fogo se encontram de maneira quase autoevidente, em um refúgio criativo: metade ateliê, metade santuário, metade laboratório sensorial.
Pinto, coso, planto, misturo, aqueço. Às vezes também recebo.
Há suítes para quem vem a trabalho, está de passagem, ou simplesmente quer chegar.
Cresci entre o asfalto da cidade e a argila do campo. Entre o farfalhar das folhas e o barulho da urbanidade, aprendi cedo a preservar o essencial ao meu redor: a natureza, a simplicidade, a inteligência silenciosa das coisas.
Desde muito cedo, minha curiosidade me levou à alquimia, à transformação e à arte. Comecei com meus próprios bálsamos, óleos e elixires. Hoje compartilho fragmentos dessa pesquisa: esferas efervescentes, esculturas de sabão, essências e rituais que não apenas cuidam, mas deslocam a percepção.
Os objetos moldados em sabão nascem do azeite de oliva, de essências vegetais e de intenção.São efêmeros. É precisamente aí que reside sua força.
Enquanto água, calor, perfume e som se desdobram lentamente, também a atmosfera e a percepção se transformam. Notas aromáticas são liberadas uma a uma; camadas se dissolvem; espuma surge; a luz se refrata nas superfícies. Por um breve momento, a própria experiência sensorial do espaço se transmuta.
Não se trata apenas do que limpa. Mas do que permanece depois que algo desapareceu. O objeto é efêmero. O gesto cultural, não.
Pesquiso, desenvolvo, testo. Trabalho com produtores e pesquisadores que também acreditam que cuidar significa respeitar o ritmo da terra. Evito tudo o que não faz bem nem a você nem ao planeta.
O que crio carrega mais do que uma fórmula.
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dp
